quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ELEVADO DO JOÁ RESPIRA POR APARELHOS - Jornal Folha do Bosque, Novembro 2009



deficiência estrutural

Recebi por e-mail esta reportagem do jornal Folha do Bosque, relatando o estado atual do viaduto, consequência da precariedade de UM dos pilares deste. O mais impressionante é que a prefeitura tem consciência do acontecimento, contudo põe em prática apenas aquela solução "maquiagem", melhor dizendo, escondem a má aparência do viaduto com asfalto.

Deixo a dica: pensem duas vezes antes de passar pelo viaduto.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

AOS LEITORES E VISITANTES


Foto: Murray Potter

Satisfaction

Não. OITOCENTOSEOITO não parou, não saiu do ar, nem foi sabotado. Posso dizer que o que está acontecendo é uma "hibernada", e diferentemente do blog do Idelbrer, espero que esse período seja bem curto.

Foram 18 dias sem uma postagem sequer, o maior tempo que este humilde escriba esteve ausente desde o início da missão. A verdade meus amigos é que arquiteto em início de carreira (que não depende de papai) trabalha muito. Agora estou prestando serviço através de duas empresas, uma no ramo de interiores e outra no ramo de reformas de hotéis, o que está sendo muito bom com os eventos que serão sediados no Rio dentro dos próximos 7 anos. Aliás, assim que sobrar um tempinho vou postar o projeto e fotos de um hotel em Barcelona do Dominique Perrault que é plasticamente muito interessante - publicado na Summa+, julho 2009).

Por outro lado, e infelizmente, os projetos que estou desenvolvendo/ ajudando a desenvolver não me dão orgulho algum pra que eu possa divulgar aqui, como eu muito gostaria. Vocês sabem, cliente decide tudo, não escuta o arquiteto, quer por mármore do piso ao teto sem necessidade, e todas aquelas ostentações anti-sustentáveis caractarísticas do pseudo-luxo que a ricalhada brega gosta - e ainda acha que tá abafando. Eu vou f
azer o que? Agente tem que botar o pão na mesa e o leite no copo.

Nunca foi pretensão minha que o OITOCENTOSEOITO fosse uma voz única, e por isso convidei os estudantes da PUC-Rio, Camilo Folly e Paula Leal a participarem do blog, os quais de vez em quando aparecem por aqui com textos, observações e dicas sempre interessantes, cada um no seu ritmo. Ainda assim, esclareço que o espaço do blog está aberto também a contribuições de todos os bem intencionados. Qualquer interesse em publicar textos, artigos, projetos, basta enviar um e-mail para
oitocentoseoito@gmail.com. Todos serão muito bem vindos - pois diferentemente de outros blogs, aqui não tem censura.

Termino minha humilde satisfação agradecendo aos mais de 2000 visitantes mensais do blog, e aos blogs que divulgam o 800e8 (Revista Noz, Entre, Cidade Inteira, Parede de Meia, Notas Urbanas, zzZzZZZz) e deixo como ilustração essa fotografia gelada, mais linda que qualquer obra do minimalista Donald Judd, e de dar inveja em Robert Smithson. Beleza de tristeza com 500 metros de comprimento e 50 metros de altura que se desprendeu da Antárdida e vai derretendo rumo a Austrália. Até breve!
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

RUBENS GERCHMAN, Interview, 1994

"Aí, como eu era o único em quem confiava, fiz uma edição dos seus parangolés. Levei-o no melhor impressor, o Claus Oldenburg, que atendia o Roy Lichtenstein, para fazer a gravura do Hélio. Era uma foto que ele me deu, com o Luiz Fernando vestindo a capa no cais da rua 42. Mas ele não gostou do resultado, achou uma merda. Por causa de um preto, cara, refizemos a impressão cinco vezes. Era um off-black complicadíssimo, com quatro impressões de preto, mais um cinza, um prata, vários grises no fundo, mas no final ele ficou satisfeitíssimo. Aí ele assinou aquilo tudo, eram umas 100 gravuras, tirou uma prova de artista para ele e me deu uma, que está emoldurada aqui em casa. Até ai, tudo bem...

(...) Guardei o trabalho e trouxe-o comigo para o Rio. Combinei com o Hélio: quando você puder ou quiser, vamos fazer um lançamento no Brasil. Passaram-se uns oito anos até que um dia o Hélio me ligou, nervoso, gritando: "Gerchman, cadê aquela edição? Você está me roubando!" Ele estava puto, era dado a iras assim, mas consegui dizer: "Porra, Hélio, tá tudo aqui guardado, vou levar agora aí na sua casa". Quando ele viu o pacote fechado, ainda com o carimbo da alfândega, intacto, começou a chorar. (...)

Um artista abandonado pelo mundo das artes plásticas, mas que depois de morto foi endeusado. Em vida, ele nunca vendeu nada, a não ser uns meta-esquemas que o Vergara vendeu para o Gilberto Chateaubriand. Depois fizeram esta Fundação Hélio Oiticica e aí sumiram com algumas coisas. Como aquela tiragem de 100 gravuras que fizemos em Nova York - edição lindíssima, investi uns 5 mil dólares, hoje seriam uns 20, delas nunca recebi um tostão -, andou sendo vendida lá fora por um alto preço. Esta Fundação H.O., vendeu muita coisa, levantei a lebre, tentei publicar isso no 'Globo', contra esse cara que monta todas as exposições, o Luciano Figueiredo, mas fui sabotado. Estão vivendo em cima do cadáver dele. São os vampiros do Hélio Oiticica. Fizeram exposição dele, em Paris, no Petit Palais, no Grand Palais, no Jeu de Paume, tembém em Sevilha, hoje, depois de morto, virou um grande nome mundial". Fonte do próprio bolso


Não adianta chorar sobre o leite derramado. Parte dos documentos e obras de Hélio, como o documento "Os Bólides e o sistema espacial", estão digitalizados e já disponíveis no portal
Itaú Cultural/Programa Hélio Oiticica.

Outros textos mais improváveis como esse, digamos, caloroso depoimento de Rubens Gerchman à revista Interview, acima transcrito, também podem ser encontrados pela rede. Sua obra queimou, mas permanece viva na memória dos verdadeiros admiradores da arte.

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domingo, 18 de outubro de 2009

NEILL BLOMKAMP - DISTRICT 9: You are not welcome here, 2009



com pipoca e refrigerante!


Para aqueles que não tem preconceito com o cinema hollywoodiano, e estão com um tempinho sobrando (coisa que eu não estou) aí vai uma dica:

Distrito 9 me surpreendeu. Tudo que parecia ser mais um filme de ficção que não iria despertar nenhum pensamento posterior, revela-se um filme e tanto, que mesmo com atores totalmente desconhecidos interpretando personagens demasiado banais, como Sharlto Copley na pele do burocrata caxias Wikus Van De Merwe, que, diga-se de passagem é fantástico, consegue promover uma
divertida sátira à condição atual da raça humana.

A hipotética Johanesburgo está também muito bem no filme. Guetos, vazios urbanos, subúrbios, periferias, junk-spaces, terrain vagues, e todo o submundo e decadência na cidade contemporânea também estão muito bem representados.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

LINA POR ESCRITO - Org. Silvana Rubino e Marina Grinover, Cosac Naify, 2009


aulas

"Nesse ponto temos que definir a personalidade do arquiteto: o arquiteto é um operário qualificado que conhece o seu ofício não só prática como teórica e historicamente, e tem precisa consciência que a sua himanidade não é fim em si mesma, mas se compõe, além da própria individualidade, dos outros homens e da natureza." Lina Bo Bardi, 1958

Foi lançado mês passado pela editora Cosac Naify uma coletânea de textos da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, falecida em 1991. Os textos escolhidos - sempre bem acompanhados por fotos ou ilustrações, e organizados em ordem cronológica - nos ajudam a enxergar mais de perto, como Lina pensava, entender suas convicções, suas verdades e questionamentos. Um livro para arquitetos ou não.
Os primeiros textos, ainda na europa, Lina mostra na sua personalidade uma arquiteta jovem, uma pessoa politizada e apaixonada pela arquitetura nova que surgia, pela modernidade e pelos avanços tecnológicos de forma geral.

Após chegar no Brasil em 1946, seus textos escritos entre até os anos 60 mostram uma Lina inspirada, hipnotisada diante do cenário promissor da arquitetura brasileira. Os textos escolhidos mostram seus pensamentos focados na arquitetura moderna, na teoria da arquitetura, nos próprios grandes arquitetos brasileiros representantes do movimento moderno, e na industriaização e seu impacto no design.

"A idéia inicial de recuperação do dito cuonjunto foi a de "arquitetura pobre", insto é, não no sentido de indigência mas no sentido de artesanal, que exprime comunicação e dignidade máximas através dos menores e humildes meios" Lina Bo Bardi, Sobre o projeto do SESC Pompéia, 1986

Mais pra frente, após mais alguns anos de Brasil, os textos já revelam outra Lina: agora mais centrada em questões éticas relativas o ensino da arquitetura, questões sociais como a problemática da falta habitação popular, ao design, e a arte popular, sempre se empenhando na pesquisa pela essencia da arte popular, pelos costumes e signos que seriam para ela os verdadeiros representantes da cultura brasileira.

Abrasileirada, Lina emprega seus conhecimentos na prática da arquitetura, revelando através de projetos, como o SESC pompéia, o MAM Salvador, o Teatro Gregório de Matos, a reforma da Casa do Benin que a a arquitetura moderna brasileira, poderia (e deveria) ser mais brasileira do que era. Polêmica como sempre, se dizia stalinistra, antifeminista, e em 90 chegou afirmar que o design brasileiro nunca existiu e que design estava acabando. Dizia o que queria, falava o que lhe viesse na cabeça.

Fica evidente que Lina era uma mulher que tinha pensamentos anos-luz à frente de outras mulheres e homens de seu tempo, ou ainda dos tempos atuais. Era preocupada com o progresso coletivo, e não o individual.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

FLÁVIO FERREIRA - Como resolver o trânsito do Rio de Janeiro em seis dias, 2009



"que centro?"

Passo adiante a indicação do arquiteto Manuel Fiaschi, que me mandou um interessante artigo do arquiteto carioca Flávio Ferreira, que mostra claramente que o problema de trânsito no Rio, asim como em outras metrópoles tem solução. E não é das mais complicadas. Nem das mais caras.

É uma solução que considero merecer ser testada, afinal, teoria e prática não podem andar separadas.

O artigo foi publicado pelo site Opinião e Notícia, e encontra-se nesse link:

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OCUPAÇÃO PAULO LEMINSKI - Itaú Cultural, São Pulo, 2009 / A nova ruína, 1997



anarquiteto

Primeiro, divulgando a exposição "Ocupação Paulo Leminski: Vinte anos em outras esferas", que reúne textos e fotos do poeta e fica aberta a visitação até 8 de novembro, no Itaú Cultural, em São Paulo (Av. Paulista, 149. Tel.: 0/xx/11 2168-1776).

Segundo, transcrevo abaixo a reflexão "A nova ruína", publicado originalmente em Anseios e Ensaios Criptícos, 1997, e recentemente pulicado na Revista Noz nº3, que saiu em março último. É um "texto-ninja" daqueles que nos fazem refletir por alguns dias, e que mostra um pouco da relação e o pensamento de Leminski com a cidade e sua arquitetura.
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A nova ruína
Paulo Leminski

Pareceu-me divertida a idéia de uma contra-engenharia, uma anti-arquitetura, onde se fosse da frente para trás, uma arquitetura, onde o andaime fosse o fim, e o resto, vão parnasianismo de consumo fácil, uma engenharia onde o objeto arquitetural já fosse direto para seu estado último.

Assim, o nome desta reflexão (odeio a palavra "crônica", com que alguns costumam designar meus "textos-ninja") era para ser "instruções para a construção de uma ruína".

A ruína é o maior abandonado do meio dos edifícios. Cabanas, palafitas, vilas, mansões, castelos, palácios, palacetes, apartamentos, kitchenettes, privadas de quintal, quartos de empregada, qualquer caverna habitável tem tido mais atenção que as ruínas.

E, no entanto, a ruína é o sentido de final de tudo, o significado dos quartos de empregada, das privadas de quintal, kitchenettes, apartamentos, palacetes, palácios, castelos, mansões, vilas, palafitas e cabanas.

Foi em Brasília que tive essa intuição.

A primeira vez que estive lá, fui ciceroneado pelo poeta Nicolas Behr, que me mostrou as belezas da arquitetura de Niemeyer, aqueles maravilhosos caixotes de cimento que o tempo, com sua habitual perícia e pontualidade, já está carcomendo e encardindo.

Mas de tudo o que vi lá o que mais me empressionou foi o primeiro andar de um edifício interrompido, um começo de prédio com a ferragem interna aparecendo, saindo de dentro do cimento armado, como as tripas de um aborto ou a primeira quadra de um soneto acabado.

-Uma ruína? Aqui? Neste monumento futurista?

Behr, que ama Brasília até a insentatez, me tirou do pasmo, explicando que realmente era um prédio interrompido, que assim foi deixado para dar o toque humano àquela paisagem sublunar de ficção científica.

Arrebatado pela musa, ali memso desovei no ato um poema de dezoito andares chamado "Claro Calar Sobre uma Cidade sem Ruínas".

Desde então a idéia da construção de ruínas me persegue como uma obsessão.

Dia desses, lembrei qua já tinha tido essa idéia, quando garoto. Mais. Que eu já tinha construído, uma vez, uma ruína. Era num mato perto da minha casa, atrás do internato dos irmãos maristas, onde eu estudava. No meio desse mato, havia um resto de um velho poço, coberto por uma torre de tijolos. Eu gostava de vir ali de tarde e ficar lendo Deuses, Túmulos e Sábios, o livro que mais me marcou na vida. E no meu desvario de arqueólogo aprendiz, eu gostava de fantasiar que aquele resto de poço pertencia a uma civilização desaparecida, e tentava imaginar como aquele povo vivia, que técnicas conhecia, que lingua falava.

Um dia, caí em mim e me rebelei contra aquela ficção. E resolvi construír eu mesmo a minha própria ruína. Fabriquei tijolos de barro no riacho mais próximo, que eu enchi de inscrições ilegíveis, mesmo para o linguista hábil que eu já era aos onze anos. Com os tijolos, fui construíndo dia após dia minha própria torre de Babel, fadada ao fracasso desde o nascimento. Abandonei a construção, quando ela já estava quase na minha altura, pois descobri que aquele povo sacrificava aos seus deuses sanguinários os arquitetos com mais de onze anos.

Durante anos, meu amor pelas ruínas me levou ao ódio pela arquitetura.

Eu queria ser um anarquiteto de desengenharias.

Ainda hoje, quando vejo um belo caixote de vidro e cimento na avenida paulista, ainda me consola pensar:

-Calma, calma, rapaz. Imagine que bela ruína isto vai dar um dia.

Mas eu não sou desses que acreditam em idéias individuais.

Tenho certeza que essa minha obsessão deve estar presente em muita gente, neste país onde os projetos já nascem mortos, que é um projeto irrealizado senão uma ruína novinha em folha?

Proponho, portanto, a introdução de uma nova cadeira em nossas escolas de Engenharia e Arquitetura, a de construção de ruínas.

Só construíndo suas próprias ruínas, lúcida e conscientemente, O Brasil poderá readquirir o prestígio arquitetônico que teve nos tempos de JK, aquela ruína do sonho de um país em desenvolvimento.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

BERTOLT BRECHT - Sobre a maneira de construir obras duradouras, 19??

I

1

Quanto tempo
Duram as obras? Tanto quanto
Ainda não estão completadas.
Pois enquanto exigem trabalho
Não entram em decadência.

Convidando ao trabalho
Retribuindo a participação
Sua existência dura tanto quanto
Convidam e retribuem.

As úteis
Requerem gente
As artísticas
Têm lugar para a arte
As sábias
Requerem sabedoria
As duradouras
Estão sempre para ruir
As planejadas com grandeza
São incompletas.

Ainda imperfeitas
Como o muro que espera pela hera
(Ele foi incompleto
Há muito, antes de vir a hera, nu!)
Ainda pouco sólida
Como a máquina que é utilizada
Mas não satisfaz
Mas é promessa de uma melhor
Assim deve ser construída
A obra para durar
Como a máquina cheia de defeitos.

2

Assim também os jogos que inventamos
São incompletos, esperamos;
E os objetos que servem para jogar
O que são eles sem as marcas
De muitos dedos, aqueles lugares aparentemente danificados
Que produzem a nobreza da forma;
E também as palavras cujo sentido
Muitas vezes mudou
Com os que as usaram.

3

Nunca ir adiante sem primeiro
Voltar para checar a direção!
Os que perguntam são aqueles
A quem darás resposta, mas
Os que te ouvirão são aqueles
Que farão as perguntas.

Quem falará?
O que ainda não falou.
Quem entrará?
O que ainda não entrou.
Aqueles cuja posição parece insignificante
Quando se olha para eles

Estes são
Os poderosos de amanhã
Os que necessitam de ti, esses
Deverão ser o poder.

Quem dará duração às obras?
Os que viverão no tempo delas.
Quem escolher como construtores?
Os ainda não nascidos.

Não deves perguntar: como serão eles? Mas sim
Determinar.

II

Se deve ser dito algo que não será compreendido imediatamente
Se for dado um conselho cuja aplicação toma tempo
Se a fraqueza dos homens é temida
A perseverança dos inimigos, as catástrofes que tudo destroem
Então deve-se dar às obras uma longa duração.

III

O desejo de fazer obras de longa duração
Nem sempre deve ser saudado.
Quem se dirige aos não-nascidos
Muitas vezes nada faz pelo nascimento.
Não luta, e no entanto quer a vitória.
Não vê inimigo
A não ser o esquecimento.

Por que deveria todo vento durar eternamente?
Uma boa sentença pode ser lembrada
Enquanto retornar a ocasião
Em que foi boa.
Certas experiências, transmitidas em forma perfeita
Enriquecem a humanidade
Mas a riqueza pode se tornar demasiada
Não só as experiências
Também as lembranças envelhecem.

Por isso o desejo de emprestar duração às obras
Nem sempre deve ser saudado.

Tradução: Paulo Cesar Lima de Souza / Fonte: Revista ViverCidades

Mais poesias de Bertolt Brecht, aqui.

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